Seu professor não tem Didática? Uma aula por semana

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Estou cursando a disciplina de Didática e temos ampliado os entendimentos que a circunda. Portanto, nessa semana a aula me ensinou mais sobre e estou compartilhando aqui.

Nós alunos somos parte do processo educativo e muitas vezes somos/temos de ser protagonistas desse processo. Portanto, avaliar o trabalho do professor é importante para que possamos colocar nossos pontos em relação à esse processo. Muitas vezes criticamos os professores que não correspondem aos resultados que buscamos. Até mesmo pelos problemas do sistema de educação que transforma a escola e a sala de aula em um processo não muito agradável.

Quando um professor não consegue nos ensinar da forma que queremos ou imaginamos certamente ficamos insatisfeitos e nos questionamos do motivo pelo qual ele não consegue corresponder as nossas expectativas de ensino. Para nós muitas vezes o professor não tem a Didática. Foi assim para mim durante muito tempo até começar a cursar a disciplina e ler sobre. Que tal quebrar alguns conceitos que sempre tivemos do que seja a didática? Talvez o que seu professor não tenha seja outra coisa.

  • Como toda a educação, a didática já foi vista muitas vezes como a TÉCNICA de ensinar, FORMA de ensina e a disciplina muitas vezes é vista como um MANUAL para ser um bom professor. Bem, isso também faz parte mas ela vai muito além disso. Logo, a didática NÃO é INSTRUMENTAL e nem um conjunto de TÉCNICAS.
  • Seu objeto de estudo: ENSINO
  • Didática é PRÁXIS (teoria + prática) que acompanha o entendimento da ação pedagógica.
  • Didática é CRÍTICA.
  • Em um apanhado geral, pensando a partir de todos esses pontos a didática pensa os aspectos educativos como a prática docente, conteúdos, avaliação e as metodologias (práticas de ensino). E é nesse ponto que quero chegar. O como se ensina é uma parte da didática, são as metodologias, as práticas de ensino.
  • Para finalizar… “De fato, a Didática como área de estudo da pedagogia tem como objetivo nuclear o ensino em situação (PIMENTA, 2001), compreendido como prática educativa intencional, estruturada e dirigida a outros. Trata-se de um conhecimento pedagógico fundamental à ação do professor e que extrapola o caráter aplicado. Seu estudo abrange a problematização, o entendimento e a sistematização de questões relacionadas à docência, articulando objetivos, conteúdos, metodologias e avaliação do ensino à reflexão sobre a identidade profissional, a dimensão ética do trabalho do professor, os conhecimentos necessários à prática educativa, entre outras pautas. Dizemos, pois, que a Didática é teoria e prática do ensino, conjugando fins e meios, propósitos e ações, objetivos, conteúdo e forma.” (Freitas, I.M.S; Sales, J.O.C.B; Braga, M.M.S.C e França, M.S.L.M – Didática e Docência: aprendendo a profissão)

Espero que eu tenha conseguido de uma forma sintética e clara explicar melhor o que seja a didática. Claro que é mais complexo e é preciso estudá-la a fundo, até mesmo pelo fato de ter muita história por trás da mesma, como toda a educação, de fato. Se o seu professor não sabe ensinar, ou não consegue corresponder as suas expectativas, deve-se avaliar o que tem levado à isso, pois podem ser muitas coisas além mesmo do que ele entende sobre ensino.

A profissão de professor não é nada fácil, ainda mais em um país que não valoriza de verdade a educação.

Boa tarde!

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Uma aula por semana – Taylorismo, educação, motivação, práticas

A Categoria “Uma aula por semana” surge da minha vontade de compartilhar com vocês as aulas interessantes que eu tenho na universidade, expondo o tema que foi discutido, como decorreu a discussão e como resultou. E quando eu não tiver aula? Bem, as férias estão chegando, então a ideia é de nas férias fazer o “Uma aula por semana (Férias)”, que vai ser uma abordagem um pouco diferente, ao invés das aulas que tenho na universidade, irei compartilhar com você aprendizados do dia-a-dia. Afinal, a educação vai muito além dos muros da universidade e da escola. A Educação é linda por isso, nela temos o mundo e fazemos a troca de saberes.

Vamos à nossa primeira aula:

 Format:  Fotopositiv  Dato / Date:  Ukjent  Fotograf / Photographer:  Navn på fotograf   Sted / Place:  Ukjent  Eier / Owner Institution:  Trondheim byarkiv, The Municipal Archives of Trondheim  Arkivreferanse / Archive reference:  Tor.H43.B75.F5204
Imagem: Ukjent

O tema da aula foi Taylorismo. Afinal, o que é Taylorismo?

“Sistema de organização do trabalho, especialmente industrial, baseado na separação das funções de concepção e planejamento das funções de execução, na fragmentação e na especialização das tarefas, no controle de tempos e movimentos e na remuneração por desempenho.” Antonio David Cattani

Por quem foi pensado?

F. W. Taylor (1856-1915) , engenheiro norte-americano. E de acordo com ele “os trabalhadores não são pagos para pensar, mas para executar”.

Sendo esse Taylorismo, classificado como um modelo científico. E, “organizado pelo taylorismo, o trabalho transfigurou-se em atividade: fragmentada, repetitiva, monótona e desprovida de sentido. Perdendo sua autonomia, sua capacidade de usar a criatividade, o trabalhador transformou-se em operário-massa, alienado do conteúdo do seu esforço produtivo.” Antonio David Cattani

Bem, como podemos ver, o Taylorismo é um pensamento da era industrial, de produção do sistema capitalista. Mas o que foi discutido entre os alunos (Pedagogia, Administração, Letras, dentre outros cursos) e a professora  foi a relação entre o Taylorismo e a Educação.

Foi discutido que:

O sistema escolar tradicional tem características desse sistema industrial (afinal de contas foi a partir dali que ela se organizou dessa maneira). E quais características são essas?

Imagem: Christopher Sessums
Imagem: Christopher Sessums

– Alunos enfileirados.

– Uniformizados.

– O Tempo é único para todos.

– Alienação.

– Transformação dos alunos em máquinas repetitivas, assim como os operários nas fábricas.

Além disso, a discussão também foi para o lado de como algumas práticas educativas poderiam melhorar, já que para alguns alunos esse modelo foi pensado como negativo para a educação. No decorrer da aula os alunos falaram sobre o que transformariam na educação, como retirada de conteúdos fragmentados ou talvez unir conteúdos que conversem, havendo dois professores em sala para discutir tal assunto, um de cada conteúdo, como Biologia e Química. Em relação à isso, ainda discutiu-se as dificuldades de retirar a separação de conteúdos e colocar os dois professores em sala.

Também, foi criticada a formação dos professoras, tanto da Pedagogia, quanto das Licenciaturas. Que muitas ideias ficam na teoria, mas não vão para a prática e a necessidade de existir uma escola de aplicação, na nossa universidade, para que os professores tivessem uma melhor formação na prática, podendo assim, ver as práticas educativas e analisar como o ensino e aprendizagem pode melhorar.

Outra questão debatida foi a motivação do profissional no modelo do Taylorismo e no modelo atual, sendo que alguns alunos e a professora concordaram que algumas características desse modelo, ainda estão no mundo do trabalho atual. Que a repetição desestimula o trabalhador, como o professor. E na minha opinião é a falta de motivação que faz com que muitas vezes o professor não seja um bom profissional, as vezes ele não queria realizar o trabalho dele àquela maneira, mas de alguma forma tem que seguir um modelo, então ele se sente sem motivação, problema que afeta sua saúde e estilo de vida.

O famoso vídeo do Pink Floyd, foi citado como exemplo desse modelo industrial e a educação.

Ciências Humanas não Humana

Este é um texto desabafo.

Se tem uma coisa que me deixa frustrada e triste em relação a universidade na qual eu estudo é a falta de humanização. Coisa da minha cabeça mesmo. Eu observo sempre, as aulas dos professores, na maior parte Doutores e sua relação com os estudantes.

Alguns tem até bom relacionamento, mas me parece que os títulos nos distanciam. Temos os meros graduandos, e os professores com seus devidos títulos. E isso, muitas vezes nos dá um medo de fazer algumas críticas em relação ao posicionamento de alguns professores.

Outra coisa, que eu não gosto na universidade, é o fato de qualquer opinião que os estudantes queiram compartilhar, tem que vir com um, ” assim como pessoa tal” (uma pessoa que já escreveu um livro, ou já morreu, ou é considerado de muita importância na academia, ou tudo isso junto). Pois, se a gente não citar alguém, a nossa opinião é mero senso comum. Tudo bem, e se for? O senso comum também é de suma importância, muitas vezes vieram deles as dicas da vovó (olha que muitas funcionam, viu?).

Eu gosto da universidade, gosto de aprender, mas eu não gosto de me deixar levar por certos padrões. E eu sei sim, a importância da leitura e que a partir dela podemos ter uma troca de conhecimento, sei também a importância do embasamento teórico e que temos que respeitar os professores, não estou indo contra nada disso.

O que quero dizer é que não gostaria de ter medo de alguns professores, pelo fato de serem doutores, e esse título de alguma forma, nos separar. Não gostaria que o senso comum fosse visto de uma maneira tão negativa e que eu precise sempre dizer que estou dizendo isso, pois fulano de tal, que é melhor (é o que parece) que a gente, disse isso.  (Ha, também não quero tirar a importância de fulano de tal, viu?). E nem queria ver estudantes sendo expulsos (por puro constrangimento), da sala de aula, pois a leitura do texto é mais importante que a troca de aprendizado entre estudante e professor.

A universidade ainda é restrita para muitas pessoas, como a que eu estudo, que fica longe dos Centros populares. Um local que deveria ser aberto para pessoas que não precisam necessariamente ser estudantes. Sim, ela não tem muros, mas se formos levar em consideração que uma pessoa aqui da Ceilândia, onde moro, queira ir na universidade, de vez em quando e precise pegar dois ônibus e gastar 10 reais de passagem. Haa…. depois de pensar nisso bate até um desânimo.

A universidade, deveria ir até as pessoas, em projetos sociais, por exemplo. O que adianta a discussão sobre feminismo ficar só ali? E não chega mais longe.

Pode ser que eu esteja generalizando. Existem alguns poucos projetos. Mas é evidente que há essa carência. A universidade precisa se humanizar mais. A Ciências humanas (estudo um curso de Ciências humanas, então é o olhar, sobretudo dela que tenho tido), que é humanas, não se humaniza, quem dirá a universidade. Mas não adianta só falar, né? rsrs